Marca dos grandes torneios do circuito mundial de tênis, o pôster oficial tem sido uma atração à parte nos eventos por contar sempre com nomes renomados em sua criação. E, no Rio Open, não poderia ser diferente. Desde sua segunda edição, diversos grandes nomes da arte brasileira puderam apresentar criações únicas e dinâmicas, o que acabou se tornando uma tradição do torneio.
Em 2015, contamos com os traços do grafiteiro Tomaz Viana, o Toz. Baiano, criado no Rio de Janeiro desde os 14 anos, Toz buscou suas influências no maior símbolo da cidade, o Cristo Redentor, assim como nas cores das árvores e do saibro. O grafiteiro convidou seu amigo Bruno Bogossian, o BR, especialista em escrita, para executar a grafia vista no pôster. A ideia da assinatura foi fazer referência ao autógrafo que os tenistas dão na câmera da transmissão após vencerem uma partida.
Em 2016, convidamos o carioca Daniel Azulay, artista plástico, escritor e educador. “Eu escolhi o saque como uma das principais imagens, pois é onde tudo começa. Quis fazer uma coisa integrada com a cidade, mas que não fosse turística. Usei uma ideia de transparência, com o Rio de Janeiro ao fundo, celebrando o evento. Também usei linhas, algo geométrico para dar relevo, buscando textura e movimento”, explicou o artista à época.
No ano seguinte, Azulay voltou a ser o responsável pelo pôster do Rio Open. Desta vez, sua inspiração foi o backhand, o movimento plástico da esquerda, definido pelo artista como o golpe mais bonito do tênis. “Além de utilizar as cores predominantes do saibro, tentei dar uma ideia de profundidade ao desenho. A bolinha começa menor e termina maior, proporcionando movimento. Além disso, os atletas estão flutuando, como se fosse um balé. Procurei inserir tudo o que vejo em uma partida de tênis.”
Em 2018, o consagrado artista plástico Carlos Vergara concebeu o cartaz após analisar e fotografar as quadras do Jockey Club. O saibro e sua característica cor laranja serviram de base para a criação da obra, feita por meio de uma pintura com o pó do saibro e a especularita — material metálico de brilho intenso — sobre lona crua. Vergara se inspirou no “desafio”, momento em que o árbitro confere a marca deixada pela bola para determinar se foi dentro ou fora, além da vista privilegiada da Quadra Guga Kuerten para o Cristo Redentor.
Na edição de 2019, uma escultura de Raul Mourão foi registrada pelo fotógrafo Pepê Schettino para compor a imagem do pôster. “O ponto de partida foi pensar nos elementos básicos do jogo. Pensei na geometria da quadra e em como aquilo poderia indicar um caminho. Pensei na quadra e em seus elementos: a rede, a raquete e a bola. É o jogo sem o movimento, sem o humano. A partir daí, passei a fazer experiências escultóricas com a raquete. Como trabalho com esculturas cinéticas, comecei a experimentar a raquete em um movimento pendular sobre uma estrutura geométrica. A ideia do pôster foi ‘congelar’ uma imagem dessa experiência escultórica”, explicou Mourão.
Para o pôster de 2020, o artista plástico carioca José Bechara criou a obra Randômica, inspirada no momento em que a bola toca levemente na rede e cai na quadra do adversário. A obra foi feita em aço, pesa cerca de 55 quilos e ficou exposta durante todo o torneio daquele ano no espaço Rio Open Arte.
O artista Maxwell Alexandre assinou o pôster de 2022. Criado na Rocinha, Maxwell produziu uma obra inspirada na quadra de saibro, utilizando papel pardo e linhas brancas que representam os limites da quadra. “Fui buscar na minha história elementos visuais que fizessem menção ao esporte. A primeira relação que estabeleci foi entre a cor amarelada do papel pardo, elemento principal da minha pintura figurativa nos últimos anos, e a cor terrosa do saibro das quadras.”
Já na edição de 2023, o responsável pelo pôster foi o artista carioca Barrão, que se inspirou em sua série de trabalhos realizada a partir de carimbos encontrados em uma feira antiga, transformados em verdadeiras obras sobre papel. A ideia do pôster era buscar algo com conexão direta com o esporte. “Adoro tênis e fiz aulas por bastante tempo. Para este trabalho, pensei nos carimbos sobre papel que, de forma lúdica, remetem às marcas que a bola de tênis deixa no saibro e criam registros que permitem aos jogadores verificar se foi dentro ou fora”, explicou o artista.
Coube a Anna Bella Geiger, um dos ícones das artes plásticas do Rio de Janeiro, o desafio de criar a obra que ilustrou o pôster e os produtos exclusivos da edição especial de dez anos do Rio Open, em fevereiro de 2024. Aos 90 anos, Geiger segue encantando o mundo com suas pinturas, gravuras e desenhos, além de continuar lecionando e formando novas gerações de artistas.
A artista levou para a obra especialmente produzida para o Rio Open 2024 sua originalidade e autenticidade. Seu trabalho, que atravessou décadas e conquistou reconhecimento internacional, é marcado por uma poética diversa, frequentemente definida como uma geopoética, na qual o uso de múltiplos materiais e suportes é uma de suas principais características.
Na obra especial da edição de dez anos do Rio Open, essa temática voltou a se fazer presente. Geiger reproduziu o mapa-múndi em uma composição formada pelas cordas de uma raquete de tênis, simbolizando o caráter internacional do torneio. Além de integrar o circuito mundial da modalidade e ser o único ATP 500 da América do Sul, o Rio Open recebe todos os anos tenistas e torcedores de todas as partes do planeta.
Para o Rio Open 2025, Luiz Zerbini foi o artista escolhido. O carioca trouxe para sua obra a mesma energia e intensidade presentes nas quadras do torneio, celebrando não só o esporte, mas também a cultura e a natureza do Rio de Janeiro. “Quis fazer um sol amarelo fluorescente, flutuando como uma bola de tênis sobre o mar no verão da Cidade Maravilhosa. Minha ideia foi mandar uma bola forte e profunda com efeito – provavelmente topspin – e correr pra rede para matar o ponto.”
Marcos Chaves ilustrará pôster e artigos oficiais do Rio Open 2026
“‘Crux’ embaralha a quadra de saibro e a reapresenta como um instrumento de desorientação plástico-espacial. Aqui, o jogo é outro. As linhas deixam de impor limites, sempre necessários à articulação do jogo, e encontram ressonância na movimentação inerente à sua dinâmica. A linha é índice de movimento. As bolinhas, alocadas nos planos seguindo o traçado das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul, além de pontuarem o espaço também entrelaçam a importância do torneio na região ao conhecido histórico da constelação no auxílio às navegações, estabelecendo uma ponte simbólica entre o passado e o presente, enquanto projeta-se para o futuro”, comenta o artista.
Nascido em 1961, Marcos Chaves é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Desde os anos 1980, desenvolve uma produção marcada pela apropriação e pela intervenção, explorando diferentes linguagens e suportes, como objetos, fotografias, vídeos, desenhos, palavras e sons. Sua trajetória inclui participações em importantes bienais internacionais, como São Paulo, Havana, Cerveira, Luleå e Mercosul, além de exposições em instituições de prestígio como o Mori Art Museum (Tóquio), o Martin-Gropius-Bau (Berlim), o Ludwig Museum, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Museu de Arte de São Paulo (MASP).
